Kombo Candidato

Um cargo de liderança antes dos 30 anos?

Aos 20 anos, bater na porta de uma multinacional, sem nenhum “quem indica” e com pouca experiência profissional pode parecer perda de tempo.

Li esta entrevista e quero compartilhar com você, olha como é possível chegar a liderança antes dos 30 anos.

Luiz Enrique Zaragoza seguiu foi ousado porém com muita competência e atualmente é o gerente da IBM em Santa Catarina. Há 8 anos na empresa, ele começou como estagiário, foi efetivado, passou a gerente de vendas no setor de saúde e agora é responsável pela filial catarinense.

Acima dele apenas Cesar Ozaki, gerente da IBM para a região Sul, Luiz Bovi, diretor de PMEs e Ricardo Pelegrini, gerente-geral da empresa no Brasil.

Luiz Enrique Zaragoza, (28 anos, formado em administração pela Administração de Empresas pela FAAP e especializado em Marketing de Serviços pela FIA/USP) fala sobre como chegou ao cargo, suas dificuldades e perspectivas para o futuro.

Quando e como você começou a trabalhar na IBM? Já conhecia alguém da empresa?
Luiz Enrique Zaragoza: No primeiro ano de faculdade, eu já comecei a procurar estágio, tinha como referência profissional, o meu pai, que atuava no mercado financeiro – ele ainda atua – e então eu montei um currículo, fui distribuindo na Avenida Paulista de porta em porta, de banco em banco.

Além disso, fiz inscrição em alguns sites de recursos humanos. Surgiram algumas entrevistas e, entre elas, uma oportunidade na IBM. Meu foco era no mercado financeiro, mas surgiu a oportunidade no mercado de tecnologia, na IBM, isso em dezembro de 1999. Eu não tinha muito conhecimento sobre a empresa, não tinha noção do tamanho dela.

Foi assim que começou a minha história na IBM. Fiz uma série de processos, dinâmica e provas para seleção e fui sendo aprovado nessas etapas, a última delas era uma entrevista com Carla Carvalho, gerente que estava recrutando um estagiário. Foi muito rápida, basicamente uma pergunta. A Carla perguntou sobre a minha experiência e a minha resposta foi: “não tenho experiência nenhuma, mas tenho muita vontade de aprender”.

E foi assim que acabou a entrevista. Saí de lá, de cabeça baixa, achando que tinha feito tudo errado. Depois de uma semana, a surpresa! Ligaram-me e estava contratado. Comecei efetivamente a estagiar em 1° de janeiro de 2000. Não conhecia ninguém da IBM, nem a própria IBM direito.

Ser relativamente jovem ajuda ou atrapalha as negociações?
Luiz Enrique Zaragoza: Antigamente, as pessoas tinham preconceito com os mais jovens, porém, o mercado e o mundo mudaram suficientemente para perceber que você não precisa ter cabelo branco para ser respeitado, poder crescer e ganhar seu espaço. Tive algumas dificuldades sim, mas nada que ao longo do tempo, mostrando um trabalho consistente e com conteúdo, não pudesse ser superado.

Você se considera parte da chamada Geração Y?
Luiz Enrique Zaragoza: Eu tenho claro onde quero chegar, acredito nos valores de conduta e ética. Isto é, no fundo, o que dá sustentação para você ter crescimento profissional.

Hoje o mercado tem essas oportunidades e as pessoas mais novas estão conquistando cargos mais altos mais rápido do que no passado. As oportunidades existem, as empresas estão demandando.

É preciso ter dinâmica, principalmente resiliência para conseguir superar os momentos ruins e seguir em frente, é isto que as empresas buscam hoje, na minha opnião.

Quais foram os principais momentos desde a efetivação do estágio até a gerência?
Luiz Enrique Zaragoza: Desde o início, me adaptei muito bem na IBM, porque os valores são muito próximos dos meus, o ambiente de trabalho como um todo. Tive um bom relacionamento com o time em um ano e meio de estágio. E após esse período, eu tive duas oportunidades de efetivação, uma era para a área de relacionamento com o cliente, na área a qual eu já estava estagiando, a outra era na área de serviços, que era uma área promissora na época, de crescimento. E analisando hoje, realmente foi.

Atuava em relacionamento, mas optei por serviços, para adquirir um amplo conhecimento sobre o portfólio da companhia, adquirir um pouco mais de bagagem, de discurso. Eu pensava em dar uma volta pela IBM, pelas áreas de produto e serviços, adquirir essa experiencia que todo executivo tinha – eles conhecem e falam no mínimo cinco minutos de cada produto/área da IBM – e aí retornar para área de relacionamento, que é o que eu gosto de fazer, minha ambição.

Então comecei a trilhar minha carreira em serviços, atendendo algumas contas do setor de telecomunicações. E já era um desafio, porque atendia como especialista de serviços para o mercado de telecomunicações em diversos estados do Brasil. Com novos desafios surgindo, virei gerente de serviços atendendo outro segmento de clientes em São Paulo. Após quatro anos na área de serviços da IBM, voltei para a área de relacionamento, atendendo na capital Paulista o mercado de saúde, atuando como gerente de territótio, vivendo todos os produtos da IBM.

Quando surgiu a oportunidade de gerenciar a filial catarinense?
Luiz Enrique Zaragoza: Em 2007, surgiu a oportunidade como gerente da filial em Santa Catarina. Uma grande mudança porque tive que trocar de cidade, sair de São Paulo para Santa Catarina, um mundo totalmente diferente e com grandes responsabilidades que iria me ajudar no processo de aceleramento da carreira dentro da IBM, ajudando no desenvolvimento profissional onde tive oportunidade de escrever artigo, dar entrevistas, fazer palestras em universidades, além de gerenciar o dia-a-dia da filial.

Como foi mudar de São Paulo para Santa Catarina?
Luiz Enrique Zaragoza: Eu sou mineiro, de BH, mas muito cedo fui morar em São Paulo. Morei a vida inteira lá praticamente, então me considero paulista.

Florianópolis é uma cidade que não tem como não se adaptar, porque você consegue juntar o esforço de trabalho com qualidade de vida.

Para a minha carreira, é uma etapa de amadurecimento, de conquista, de experiência no dia-a-dia. Com certeza se eu estivesse em São Paulo ainda, eu não teria esse aprendizado e amadurecimento tão rápido.

Qual foi o maior desafio da carreira até o momento?

Luiz Enrique Zaragoza: Acho que o principal desafio foi logo no segundo ano de faculdade, conciliar estudos com uma carreira profissional onde tinha que viajar muito pelos diversos estados do Brasil e conseguir dar prioridade aos estudos, enquanto todos ainda viviam aquele mundo da faculdade.

Onde você trabalhou antes de chegar à IBM?

Luiz Enrique Zaragoza: Antes de entrar na faculdade, eu morei seis meses em Nova York. Lá fiz um trabalho com duração de dois meses numa empresa da área alimentícia chamada Salvati Food Ltda, mas, nada muito sério.

Oito anos em uma empresa é bastante tempo, principalmente quando é uma empresa de TI. E, certamente, você já teve propostas de outras empresas. Como lidar com isto?
Luiz Enrique Zaragoza: Eu estou há oito anos e nove meses, prestes a completar nove anos, já tive propostas sim, mas a IBM tem me dado excelentes oportunidades reais de crescimento de carreira.

Com 27 anos fui convidado para gerenciar uma filial de um estado importante, com um PIB altíssimo, que cresce a cada ano…

Quais suas expectativas profisisonais para os próximos 5 anos, 10 anos?
Luiz Enrique Zaragoza: Tenho boas perspectivas, estou trabalhando duro, dia a dia, com muita dedicação e amor a camisa. Tenho muito orgulho de trabalhar na IBM pela empresa que é, e isso ajuda bastante a me manter motivado.

Pretendo conquistar cargos altos em curto espaço de tempo, quero chegar a presidência, sempre sonhei com isso. Porém, acredito que precisamos trabalhar as expectativas, para não encontrarmos um problema de frustração.

Acredito que fazer as coisas certas, sem usar os outros como um degrau da escada, sermos honestos, humildes e com bons pensamentos, as coisas acontecem. E mais cedo ou mais tarde acontece!

Desde o primeiro dia de trabalho, tenho essa vontade de crescer e fazer uma carreira executiva. Quero construir uma carreira sólida, olhando para trás e sentir orgulho do trabalho realizado, com coerência e dignidade. Vejo muito isso, no meu pai, que tenho como exemplo. Me preocupo bastante em conciliar todo esse esforço com qualidade de vida também, e, esse sim é o maior desafio na minha visão. Mas, estou sempre atento a eventuais oportunidades que possam surgir em termos de carreira.