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Será que a crise voltará a estatizar o emprego de novo?

Ao encontrar o filho de um grande amigo meu, no último final de semana, soube que ele decidiu se inscrever em um desses cursos preparatórios para concurso. Vítima do agravamento da crise foi demitido há pouco mais de duas semanas e viu no emprego público a oportunidade de ganhar o dobro do que ganhava e obter uma segurança que inexiste nas empresas.
Assim como ele, milhares de brasileiros estão seguindo os mesmos passos, em busca de estabilidade e salários mais altos. Ainda mais agora, quando o setor privado no país demite para cortar custos – só em dezembro passado foram eliminados 650 mil postos de trabalho – e o governo federal, na contramão, anuncia a criação de 50.302 vagas, com salários que vão de R$ 2 mil a R$ 14 mil.
Reconheço que a alternativa é bastante atraente para pessoas talentosas e cérebros sem seu potencial valorizado pelas organizações, sobretudo em meio a essa onda de desemprego que assola o mundo inteiro. O que, em tese, também deve beneficiar por tabela a qualidade dos serviços prestados à população, já que passaremos a ter uma leva de profissionais altamente capacitados e com formação acadêmica de primeira linha.
No entanto, aqui vai um sinal de alerta. Precisamos ter cautela com essa enxurrada de novas contratações deliberadas na esfera federal. Em primeiro lugar, porque o governo Lula sai do trilho em sua promessa de economizar gastos. Em segundo, porque cria um enorme problema para os cofres públicos no momento em que incha a máquina do governo, transformando-a novamente em cabide de empregos, cenário que remonta a vergonhosa situação que assistíamos no passado.
Não seria aqui uma ação eleitoreira do presidente Lula em busca de votos para sua candidata predileta à sucessão, Dilma Russef, em 2010 ou até mesmo na tentativa de uma possível reeleição? O Bom Dia Brasil destacou entre suas reportagens de ontem (27) o assunto, revelando que desde 2003 cerca de 200 mil novos servidores foram incorporados à folha de pagamento. O contrário do que fez o governo de Fernando Henrique Cardoso ao reduzir em 100 mil o número de funcionários públicos.
Não dá para ignorar que a decisão do governo em manter o volume de concursos previstos para este ano vai gerar mais custos, todos pagos com os impostos dos brasileiros. Como bem disse a jornalista Miriam Leitão, é preciso contratar com critérios. “Vejo um risco ao país em tratar a questão do emprego público como porto seguro para abrigar as pessoas, indefinidamente, que fogem da instabilidade do setor privado”, afirmou.
Sem as reformas administrativa e da previdência saírem do papel, o governo fica de mãos atadas caso precise demitir ou remanejar os funcionários, protegidos pela estabilidade. Ou seja, o governo como empregador não tem liberdade caso haja algum problema. E o que é pior, absorverá outro custo, o do funcionário que vai se aposentar cedo com teto salarial muito mais alto do que os trabalhadores do setor privado.
Será justo o contribuinte arcar com tudo mais uma vez? Não sou contra o emprego público. Pelo contrário. Só não podemos permitir que a população seja penalizada, enquanto não há sequer uma política definida de carreira, que avalie o desempenho dos funcionários, a exemplo do que existe na esfera privada. Então, como queremos melhorar a eficiência dos serviços públicos se não há mecanismos que possam medir essa evolução?
Infelizmente, vejo a multiplicação do emprego público trazer consigo o perigo de cargos públicos serem transformados em objeto eleitoreiro. E todos nós continuaremos a pagar essa conta. Muito alta, diga-se de passagem.Fonte: Blog HSM, Julio Cesar

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