Kombo Candidato

Como acabar com seu futuro em 5 minutos

Prometi pra mim mesmo que um dia desses ia fazer um post com umas poucas pérolas coletadas em entrevistas de TI das quais participei. Pois bem, aqui vão algumas (qualquer semelhança é mera coincidência):

1. O candidato era fraco tecnicamente, eu mesmo já o havia eliminado, mas a entrevista prosseguiria até o final apenas por respeito. Foi aí que o representante do departamento de RH largou aquela perguntinha clássica: “qual aspecto negativo você gostaria de mudar em si mesmo?”. O candidato respira fundo, e diz que tem uma espécie de alergia no olho esquerdo. Algo que eventualmente o faz lacrimejar muito. Afirma que aquilo o incomoda bastante e que inclusive terá que operar. Se pudesse mudar algo em si mesmo, seria o olho esquerdo. Silêncio fúnebre na sala. Confesso que não larguei uma gargalhada por muito pouco.

2. O candidato era um desenvolvedor bem recomendado. Comecei perguntando da experiência atual dele como desenvolvedor e ele rapidamente me interpelou e disse: “Pois é, mas não sou mais desenvolvedor, o currículo que vocês têm está defasado. Agora sou arquiteto”. Ah bom, pensei eu, tentando entender como exatamente se dá esse processo de transformação desenvolvedor-arquiteto. Sempre que ouço esse tipo de coisa mudo completamente o rumo da entrevista. Acho justo o cara ser entrevistado como arquiteto, já que é um 😉 . Perguntei a ele qual a visão dele sobre Design Patterns e como ele os aplica. Ele me disse que usava muito o padrão “Client-Server”. Hummm, entendi. Entrevista encerrada.

3. Eu estava entrevistando um desenvolvedor em outro país. O cara tinha uma experiência boa com programação, em empresas e projetos grandes. Entrei um pouco na parte técnica e o cara deixou um pouco a desejar, mas OK. Resolvi então checar o potencial dele para resolução de problemas, e propus a discussão de uma estrutura de pilha. Qual não foi minha surpresa quando ele falou exatamente assim: “Pilha? Nunca ouvi falar nisso…”.

4. Também entrevistando um líder de desenvolvimento em outro país, questionamos o candidato sobre situações de conflito, e como ele costumava resolver esses problemas dentro da equipe. Sem titubear, o candidato largou: “Bom, se o desenvolvedor não concorda com a minha idéia, eu tento convencê-lo. Caso ele ainda não concorde, eu chamo o supervisor”. Achei interessante a estratégia dele.

5. Essa eu não estava presente, apenas me contaram, mas tomei a liberdade de colocar aqui. O candidato havia sido bem recomendado e estava “abafando” na parte comportamental da entrevista. Estava praticamente contratado. Resolveu-se então entrar na parte técnica, “só por formalidade”. Ao ser perguntado sobre Design Patterns e quais os que ele mais estava acostumado a utilizar, o candidato ficou um pouco hesitante, e disse que estava pensando em um mas não se lembrava o nome. O entrevistador se ofereceu a ajudar e perguntou as características do padrão. E o candidato: “ah, é um que os caras fizeram na Argentina, até ajudei a fazer a nova versão”. Não preciso dizer que o entrevistador não conseguiu ajudá-lo.
Recentemente eu e meus colegas Lone Gunmen estávamos discutindo como pequenas coisas nas entrevistas fazem uma diferença enorme. Um atraso, uma frase mal colocada, uma resposta sem noção, etc. Essas coisas quando fora do contexto até podem parecer de importância relativa. Mas a verdade é que eu acredito na abordagem Blink em entrevistas. Eu diria que no meu caso, em 70%-80% dos casos (estou chutando, teria que medir isso), eu já aceitei ou rejeitei o candidato em 5 minutos de entrevista. Normalmente uso o resto do tempo para confirmar a minha decisão. Alguns casos já ocorreram de o entrevistado virar o jogo, para o bem ou para o mal. Mas eles são sempre exceção.

Portanto, muito cuidado nos processos seletivos. Você pode estar acabando com seu futuro em apenas 5 minutos.

Fonte: blog tribo do mouse por Reggie, the Engineer.