No rol das competências necessárias para se conquistar uma vaga – em grande parte das empresas brasileiras – está uma palavra que pouca gente conhece, mas que todos precisam: a resiliência. Para a física, significa a capacidade de um corpo de voltar ao seu estado original após sofrer forte tensão (Pense em um elástico, por exemplo). No contexto corporativo, esse conceito ganha notoriedade – dificilmente encontramos, hoje, uma vaga que não exija uma grande “capacidade de trabalhar sob pressão”, aí está a resiliência.
Quem não consegue reagir bem às mudanças, acaba se tornando resistente – uma posição antagônica à resiliência. Resistente é aquele que prefere não sofrer mudanças, procura evitar qualquer tipo de risco e desafio, preferindo a zona de conforto. É “osso duro de roer” e acaba trazendo problemas para seu gestor.
Conheci duas pessoas que retratam muito bem essas duas figuras: Roberto, o resiliente e Júlio, o resistente. Eles fizeram faculdade juntos e Júlio começou a carreira com Roberto, no mesmo cargo. Ganhando um salário mínimo e trabalhando bastante. Trabalhavam em uma grande empresa, sob bastante pressão e precisavam entregar resultados em curto prazo. Eles se adaptaram rápido e, em alguns meses, Roberto conseguiu sua primeira promoção. Júlio não queria se inscrever em programas de recrutamento interno, tinha medo do novo. Sabia que estava em uma posição confortável, onde já dominava o trabalho e não precisava correr “riscos desnecessários”.
Hoje, cinco anos depois, Roberto, o resiliente, é gerente de projetos da empresa – ganha quinze vezes mais que Júlio, o resistente, que está no mesmo lugar, apontando a “sorte” de Roberto na carreira.
Quem costuma ler meus textos sabe que não gosto muito da sorte. “Assim Falou Zaratustra” (Nietzsche) e “O Príncipe” (Maquiavel), ensinaram lições que mudaram minha postura em relação à carreira. Júlio estava a mercê da sorte, resistente às mudanças. Roberto “fez sua própria sorte”, aceitou desafios e soube ser resiliente quando necessário.
Entendo que a resiliência é uma espécie de talento oculto, uma espécie de competência que fica adormecida e só vem à tona quando há realmente muita pressão sobre o profissional (se ele a possuir, é claro).
Então, reflita sobre sua atual capacidade de reagir às adversidades, à extrema pressão, e procure trabalhar essa competência, tão necessária quanto possuir liderança, boa comunicação e trabalho em equipe. Procuro descrever a resiliência como equilíbrio emocional – uma competência que exige muita maturidade, percepção do ambiente e auto-avaliação contínua de sua posição perante o grupo de trabalho. Ser resiliente é um pré-requisito para buscar o crescimento na carreira e aceitar novos desafios. Pense nisso!
E você… Consegue reagir bem às adversidades? É resiliente ou resistente?
Autor: Bruno Mascarenhas
Fonte: minhacarreira.com
31/ago Artigos
Carreira 3 comentários
Muito relevantes seu artigo!
é verdade que existe estes dois tipos de pessoas, é verdade que a pessoa que tem medo de mudar não alcança o sucesso. Mudar é alcançar o alvo, é aceitar a evolução das coisas e evoluir junto.
abraço.
Só gostaria de comentar que a resiliência não é bem um talento ou competência de uma pessoa, mas sim, uma particularidade, um modo de enfrentamento das adversidades próprio de cada um. Faz parte da personalidade das pessoas que podem ser mais ou menos resilientes dependendo das experiências que já teve na vida e disto depende a sua constituição.
Dulcimar
Psicóloga
Muito bom o texto! O duro é quando o seu superior imediato é o “resistente”. Vou mandar este texto pra ele. rsrsr
Abçs