Kombo Empresa

O desafio de uma carreira sustentável

As diferenças da empresa atual em relação à do Século XX são diversas, algumas visíveis e outras nem tanto. O uso da tecnologia é a mais aparente de todas, permitindo às organizações conexões globais, virtuais e instantâneas.

A capacidade de se reinventar na infra-estrutura e nos produtos, bem como nos sistemas de gestão e de relacionamento com os chamados stakeholders (clientes, colaboradores, fornecedores, acionistas, comunidade e governo), também se tornou ponto essencial às organizações. É um valor apoiado na adoção de práticas de governança, visando a sua perenidade sustentável, contemplando eficiência econômica, eqüidade social e equilíbrio ecológico com transparência, independência e responsabilidade.

Em meio a este cenário, deve-se anotar o desenvolvimento das competências dos profissionais e a propagação do conceito da carreira sustentável, criando nas organizações uma estrutura mais horizontal das atividades, gerando diversidade, equipes flexíveis e colaborativas, com funcionários mais autoconfiantes, gerenciáveis por si próprios e com enorme capacidade de atualização.

Tal conduta tem impulsionado o estabelecimento do emprego ligado a projetos, tornando as atividades temporárias e com vida própria – quando não realizados à distância. Por conta disso, o desenvolvimento da carreira passou, invariavelmente, a exigir estratégia de gestão focada no mercado – isso antes se baseava na hierarquia organizacional (no passado, se dizia querer ocupar cargos cada vez mais altos nas empresas e não espaço no mercado de trabalho existente de acordo com a sua competência). Porém, a sobrevivência do novo sistema de relações de trabalho depende fundamentalmente da adoção pelos profissionais dos conceitos socioambientais e dos indicadores de sustentabilidade dentro de sua atividade.

A realidade é que hoje o profissional deve cuidar da sua própria carreira, mas em sintonia com valores éticos, crenças e missão da organização para qual está trabalhando. A estabilidade emocional é fundamental para situações diversas, em um mundo em constante transformação, além de facilidade de trabalhar em grupo que abriga diversidade de gênero, étnica, política e religiosa.

Tais premissas relatadas vão de encontro ao conceito de excelência em gestão da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que propõe o “estabelecimento de relações com as pessoas, criando condições para que elas se realizem profissional e humanamente, maximizando seu desempenho por meio do comprometimento, desenvolvimento de competências e espaço para empreender”.

Os desafios do novo profissional incluem pensar e agir em um contexto global, ampliar o propósito das corporações para além dos resultados econômico-financeiros e colocar a ética como questão central. No lado das empresas, valorizar pessoas significará reter talentos. No fim, o sucesso das organizações vai depender cada vez mais das oportunidades de aprendizado das pessoas que a integram e de um ambiente favorável ao desenvolvimento de suas potencialidades.

 

Por Iêda A. P. Novais (sócia-diretora e coordenadora da Trevisan Consultoria, professora especialista do LARC/POLI e presidente do Conselho Fiscal da Fundação Nacional da Qualidade) 17/02/2009

19/fev Estratégias 0 comentário
Esse post ainda não possui comentários.
Deixe um comentário

Os campos marcados com um asterisco * são de preenchimento obrigatório

Últimos posts
Calculando o custo do recrutamento e seleção 31/08/2016 - Nenhum comentário
4 motivos para não receber currículos por e-mail 21/07/2016 - Nenhum comentário
O futuro das consultorias de RH 28/06/2016 - 4 comentários